Gatos e cachorros


A chegada do Gui a nossa casa foi tudo menos pacífica. A alegria da Margarida e dos meninos contrastou com a minha tristeza.

Afinal eu tinha uma uma forte ligação com o Tobias (nosso gato persa) e ele tinha morrido fazia muito pouco tempo.

Tudo o que fazia o Tobias fantástico (na minha visão), o Gui era o extremo oposto.

O Tobias era calmo, tranquilo, assistia TV conosco, autónomo (quando não estávamos dormia o dia todo), geria a sua comida e bebida, sozinho, fazia as necessidades sempre na areia (o que era fabuloso em termos de manutenção, era muito "low maintenance") nunca se queixava e aceitava os mimos quando lhe queríamos dar. Brincalhão, mas esperava que tivéssemos com disposição para brincar com ele. Esperava a sua vez, que mesmo nos dias mais complicados sempre conseguíamos uns minutos para ele.

O Gui, era brincalhão (hiper-ativo brincalhão), não esperava pela atenção ele exige-a, não tinha autonomia nenhuma (na primeira semana, quando íamos dormir latia a noite toda), e era (e ainda é) sujo até mais não (cocós e xixis pela casa toda).

No começo, quando entrou nas nossas vidas, foi em tudo similar a quando tivemos os nossos filhos, todos os nossos familiares sabiam de tudo, todos menos nós (é claro) pois tínhamos que ouvir de todos como teria de ser feito, para obter os resultados desejados. De repente, os nossos familiares que nunca tiveram cachorros eram todos especialistas, e nós cheios de dúvidas (tal e qual os primeiros filhos).

Rendemo-nos às evidências (que não entendíamos de cachorros), vimos uns programas ("o encantador de cães") e chamamos um especialista.

Com o passar do tempo, o com as aulas do professor (que curiosamente também se chama Guilherme - ironia do destino), ele foi melhorando o seu comportamento, já obedece, já conhece comandos, já faz algumas coisas que lhe pedimos (o xixi e o cocó é que ainda faz quando quer e aonde quer), e já assiste TV conosco à noite (e gosta do "House of Cards", nããããã, o que ele gosta mesmo é de colo da mãe).

Ele comporta-se como um dos nossos filhos, as brincadeiras que temos, ele tenta integrar-se nelas (ao jeito dele) e os meninos adoram-no. Eles adoram brincar com ele correr atrás dele (quando ele tira os brinquedos que eles estão a brincar), enfim... é um verdadeiro membro da família.

É engraçado que passou um ano a voar, e ele já está como parte da família, como se sempre tivesse feito parte. Como as aulas que ele tem fazem efeito, todas as semanas temos expectativa para ver quando é que ele descobre o local do xixi e do coco... e quando isso acontecer penso que ainda será mais valorizado por toda a família, pois todos vivemos intensamente as novidades dele, tal como quando os nossos filhos aprenderam a ler e escrever.

Bjs e abs,

by Fred

  


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