O que é a síndrome de PICA nos gatos?


Existem momentos na vida em que nos deparamos com umas palavras estranhas que nos fazem pensar.

Dizerem-nos que o nosso gato sofre de síndrome de Pica....será grave? Tem cura? ....Fomos investigar!

O hábito de ingerir objetos que não são alimentares é um facto relativamente corriqueiro dos nossos amiguinhos. Este comportamento aparentemente inocente, na realidade deve ser observado por nós com alguma cautela, no sentido de aferirmos se o mesmo é pontual ou recorrente. Se for o último caso, então estamos perante um distúrbio comportamental, no qual os gatinhos estão mais predispostos para ingerirem corpos estranhos e como tal precisam da nossa ajuda, para não se magoarem.

As causas deste distúrbio são várias e muito diferentes entre si:

- má alimentação: esta doença está associada a uma dieta pobre em alguns nutrientes: minerais e fibras;

- doenças prévias: a PICA pode ser desencadeada por certas patologias que tenham afetado anteriormente o seu felino, tais como imunodeficiência felina ou diabetes;

- desequilíbrio emocional do gato provocado por algum stress sofrido, por não ter atividades estimulantes, ou pela chegada de um novo pet, por exemplo;

A explicação cientifica para os felinos engolirem objetos não alimentares é baseada na anatomia dos próprios felinos, pois estes possuem papilas na língua que os ajudam a empurrar o alimento para dentro da garganta. Sempre que os gatinhos começam a mastigar o fio de lã, o fio dental, aquela pontinha da camisola,...enfim... que encontram espalhados, as referidas papilas impedem-nos de retirarem o fio da boca, restando como única opção engoli-lo.

O grande problema do corpo estranho linear ocorre quando por exemplo, ele fica preso na base da língua, ou no intestino, podendo originar assim uma infeção, a qual necessita ser tratada pelo veterinário, com a maior brevidade possível.

Infelizmente, a melhor forma de ajuda é mesmo dada pela nossa observação, uma vez que os sintomas só aparecem numa fase bem mais avançada. Os principais sintomas são vomito, febre e apatia. Em algumas situações, pode ainda ocorrer anorexia, perda de peso, desidratação.

O tratamento na generalidade das vezes é de cariz cirúrgico, para se conseguir garantir a remoção completa do fio e a suturação das perfurações que possa ter originado. Pontualmente, pode ser retirado por endoscopia, mas sempre com a ajuda do veterinário.

Por vezes conseguimos visualizar um fio saindo pelo anus do nosso bichinho, mas nunca tente remove-lo pois a tração do fio pode piorar os cortes e, consequentemente o quadro de saúde do animal. O melhor a se fazer é contatar o veterinário para ser observado, e definido qual o melhor procedimento para a situação concreta.

Há quem defenda que a melhor forma de combater a síndrome da PICA seja pelo castigo, contudo se entendermos que o gato apenas está a tentar satisfazer algum tipo de carência que sente, talvez o mais indicado e eficaz passe por tratarmos a causa da doença, para efetivamente corrigirmos o problema e voltarmos a ter o nosso amigão feliz e saudável connosco.

Para isso podemos começar por alterar a dieta do fofinho, para outra que seja mais completa e inclua  alimentos mais nutritivos, ricos em minerais e fibras, que supra as necessidades encontradas. Se necessário, podemos ainda recorrer a algum suplemento alimentar, se o veterinário achar indicado.

Por outro lado, apostar em manter o nosso gato mais ativo, é sem dúvida uma aposta ganha para todos! Brincar com ele diariamente e obter brinquedos que o aliciem mais, deixará todos bem mais felizes. Por vezes o tempo disponível é, sem duvida um desafio, mas temos de pesar os pros e os contras e....eles merecem este nosso empenho!

Não obstante, precisamos manter vigilância apertada nos objetos que ele possa encontrar e levar à boca e com os quais se possa engasgar ou que sejam tóxicos.

Ultrapassar a síndrome da Pica é um processo lento que requer a nossa atenção e disciplina, contudo é perfeitamente possível e tenho a certeza que no final do processo terá valido a pena. Não hesite em falar com o seu veterinário sobre a melhor solução a adoptar para o seu gato, de acordo com os comportamentos específicos dele.

Boa sorte!


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